O Legado Incontornável do Rock Português
É inegável que a indústria cinematográfica vive de contrastes profundos, servindo tanto para eternizar lendas da nossa cultura como para expor os bastidores financeiros mais obscuros. Por cá, as atenções viram-se para a celebração audiovisual de um verdadeiro ícone. Zé Pedro, o saudoso e carismático guitarrista dos Xutos & Pontapés, continua a ser encarado por muitos como a figura máxima do rock’n’roll em Portugal. Mais do que um simples músico ou o fundador de uma das bandas nacionais mais aclamadas de sempre, ele funcionou como um autêntico motor do género no nosso país. A sua paixão extravasava os palcos, desdobrando-se na incansável divulgação da música através das suas facetas de crítico, radialista e dono do mítico Johnny Guitar. Afinal, foi neste histórico clube lisboeta que inúmeras bandas deram os primeiros e decisivos passos nas suas carreiras.
O documentário Zé Pedro Rock’n’Roll surge, assim, como uma justa e merecida homenagem ao gigante da música, falecido em 2017. A obra não se limita a contar factos soltos. Convida o espectador a embarcar numa viagem íntima à vida e ao mundo particular do artista, recorrendo a um rico acervo de imagens de arquivo pessoais e da própria banda, tudo isto habilmente intercalado com testemunhos de familiares e amigos mais chegados.
O Cerco do Fisco ao Cinema Britânico
Ora, se a magia do cinema nos permite celebrar legados imensos, o lado corporativo da mesma indústria enfrenta por vezes uma realidade bem mais dura. No Reino Unido, a Lip Sync Productions, uma conhecida investidora de cinema e televisão que esteve por trás de títulos sonantes como The Brutalist e Falling (de Viggo Mortensen), encontra-se atualmente debaixo de fogo. A Autoridade Tributária e Aduaneira britânica (HMRC) colocou a empresa no topo da sua mais recente e polémica lista de devedores fiscais deliberados. A produtora funciona como uma entidade irmã da já falida casa de pós-produção Lipsync.
Os números revelados pelas autoridades são bastante pesados. A HMRC concluiu que a Lip Sync Productions falhou o pagamento de uma fatura fiscal na ordem dos 14,1 milhões de libras (cerca de 19 milhões de dólares) num período compreendido entre 2019 e 2023. Esta pesada infração resultou numa coima de 7 milhões de libras aplicada à empresa. Importa referir que, até ao momento, não existe qualquer indício de que terceiros envolvidos nos projetos cinematográficos da Lip Sync tivessem conhecimento deste enorme incumprimento.
Silêncio e Consequências nos Bastidores
Confrontado com o avolumar do escândalo, Peter Hampden, proprietário e diretor da empresa, optou por não responder aos pedidos de comentários. A situação na liderança da produtora ganhou contornos trágicos no ano passado com a morte do cofundador Norman Merry, vítima de doença oncológica. Um porta-voz da autoridade tributária recusou detalhar os pormenores do processo da Lip Sync, mas deixou um aviso bastante duro. Afirmou que as autoridades estão totalmente empenhadas em combater aqueles que fogem deliberadamente aos impostos, sublinhando que a publicação dos nomes dos infratores e das respetivas multas serve para passar a mensagem clara de que o incumprimento tem consequências sérias.
O desfecho prático desta grave crise financeira já está, de facto, em marcha. Logo em janeiro, a empresa Begbies Traynor foi nomeada como liquidatária voluntária da Lip Sync Productions. Curiosamente, e apesar de toda a controvérsia, Peter Hampden mantém-se em funções como diretor, não só desta produtora em liquidação, mas também da entidade relacionada Glenthorp Limited, que outrora serviu de empresa-mãe à Lipsync Post.
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