{"id":314,"date":"2026-05-18T13:03:13","date_gmt":"2026-05-18T13:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/?p=314"},"modified":"2026-05-18T13:03:17","modified_gmt":"2026-05-18T13:03:17","slug":"o-catalogo-da-hbo-max-entre-o-caos-do-multiverso-e-a-verdade-crua-dos-escritores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/2026\/05\/18\/o-catalogo-da-hbo-max-entre-o-caos-do-multiverso-e-a-verdade-crua-dos-escritores\/","title":{"rendered":"O Cat\u00e1logo da HBO Max: Entre o Caos do Multiverso e a Verdade Crua dos Escritores"},"content":{"rendered":"<p>O Stuart Bloom tem um belo problema em m\u00e3os no primeiro teaser da nova com\u00e9dia da HBO Max, Stuart Fails to Save the Universe. Ou melhor, tem um multiverso inteiro de sarilhos para resolver. Este novo spin-off de A Teoria do Big Bang \u2013 curiosamente o terceiro, logo a seguir a Young Sheldon e Georgie &#038; Mandy\u2019s First Marriage \u2013 atira o peculiar dono da loja de banda desenhada (interpretado por Kevin Sussman) para um cen\u00e1rio absurdo onde ele simplesmente parte o cont\u00ednuo espa\u00e7o-tempo. E agora anda a tentar colar os peda\u00e7os, sem grande sucesso, diga-se.<\/p>\n<p>A premissa da s\u00e9rie arranca quando o Stuart d\u00e1 cabo de um aparelho inventado pelo Sheldon e pelo Leonard, desencadeando acidentalmente um aut\u00eantico Armaged\u00e3o interdimensional. Para tentar remendar a realidade, ele conta com a ajuda da namorada, Denise (Lauren Lapkus). Esta produ\u00e7\u00e3o de c\u00e2mara \u00fanica, com estreia marcada para 23 de julho, promete uma viagem atribulada cheia de buracos de minhoca, m\u00faltiplas vers\u00f5es do pr\u00f3prio Stuart e insetos gigantes.<\/p>\n<p>A Fuga \u00e0 Fic\u00e7\u00e3o e o Mergulho na Realidade<br \/>\nSe a perspetiva de salvar o universo num cen\u00e1rio tresloucado n\u00e3o for exatamente a vossa onda, a plataforma tem estado a apostar em frentes bem mais terrenas. Confesso que sou um bocado &#8220;vendido&#8221; a tudo o que o Bill Lawrence faz. Adoro o Scrubs e achei que o revival de 2026, que nos devolveu o JD e o Turk aos corredores do hospital Sacred Heart, foi um regresso bem-vindo, mesmo achando o argumento um bocadinho frouxo aqui e ali. Mas \u00e9 com Rooster, que acabou de chegar ao fim na HBO Max, que o Lawrence acertou na mouche.<\/p>\n<p>Por norma, quando uma s\u00e9rie gira em torno da vida de quem escreve, a coisa descamba para um chorrilho de egocentrismo bacoco. Basta olhar para Californication, que nos quer convencer de que o quotidiano de um autor \u00e9 altamente e cheio de glamour. A realidade \u00e9 ligeiramente diferente. Eu estou aqui a redigir este texto e n\u00e3o tenho um har\u00e9m de mulheres mortinhas para ir para a cama comigo. Estou enfiado num caf\u00e9, de auscultadores na cabe\u00e7a, enquanto a minha namorada me manda mensagens sobre o nosso c\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente nesta honestidade que Rooster ganha o jogo. A vida de um escritor n\u00e3o \u00e9 andar a enrolar-se com universit\u00e1rias de quarto em quarto de hora. \u00c9 feita de muito t\u00e9dio, de uma catadupa de desejos por cumprir e de uma rotina que gera muito mais empatia do que a da malta que vive no limite 24 sobre 24 horas.<\/p>\n<p>Os Cacos da Vida Acad\u00e9mica e Familiar<br \/>\nTrocando por mi\u00fados, Rooster \u00e9 uma com\u00e9dia de dez epis\u00f3dios co-criada por Lawrence e Matt Tarses. Temos o Steve Carell na pele de Greg Russo, um autor de pulp fiction com bastante sucesso que v\u00ea o seu casamento ir por \u00e1gua abaixo. O div\u00f3rcio leva-o a aceitar um lugar de escritor residente na fict\u00edcia Universidade de Ludlow, com o \u00fanico prop\u00f3sito de estar mais perto da filha, Katie (Charly Clive). Ela \u00e9 uma professora de hist\u00f3ria de arte que anda a tentar apanhar os pr\u00f3prios cacos depois de o marido a ter trocado por uma aluna de mestrado. Acaba por ser uma mistura muito bem amanhada de com\u00e9dia de local de trabalho, drama familiar e s\u00e1tira ao meio acad\u00e9mico, onde o Carell faz o seu t\u00edpico papel de pai embara\u00e7oso, mas desta vez a vestir um blazer em vez de um fato formal.<\/p>\n<p>O elenco, que conta com Danielle Deadwyler, Lauren Tsai e Phil Dunster (o intrag\u00e1vel marido Archie, que d\u00e1 um gozo tremendo odiar), \u00e9 excelente. S\u00f3 que o que nos prende mesmo ao ecr\u00e3 \u00e9 o argumento. Aquelas pessoas parecem ter pulso, acreditamos no que se est\u00e1 ali a passar mesmo quando a narrativa oscila entre piadas ordin\u00e1rias e momentos de genu\u00edna ternura. Num minuto o Carell est\u00e1 naquele registo de pai desajeitado em que engolimos perfeitamente que ele \u00e9 s\u00f3 um cromo ca\u00eddo de paraquedas no mundo universit\u00e1rio a tentar encontrar o seu espa\u00e7o. No respiro seguinte, est\u00e1 a chamar &#8220;mamas de porca&#8221; a um dos mi\u00fados da faculdade de quem se tornou amigo. Esse empurra-e-puxa org\u00e2nico funciona. Melhor ainda, ali ningu\u00e9m serve apenas de muleta para empurrar a hist\u00f3ria do protagonista; qualquer um daqueles bonecos tinha estaleca para carregar a pr\u00f3pria s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Neste meio, o John C. McGinley d\u00e1 bastante nas vistas como Walter Mann, o exc\u00eantrico reitor da faculdade. H\u00e1 nele tra\u00e7os do saudoso Dr. Cox pela incisividade r\u00e1pida, mas aqui ele \u00e9 apenas um tipo muito bizarro a tentar agarrar-se ao poder numa universidade em constante muta\u00e7\u00e3o. Este arco corre em paralelo com o esfor\u00e7o do Russo para dar a cara pela filha.<\/p>\n<p>No fim de contas, Rooster n\u00e3o tem a pretens\u00e3o de embrulhar as coisas com um la\u00e7o perfeito ou de fingir que as pessoas fazem sempre as escolhas certas. Os amigos fazem porcaria, os parceiros tamb\u00e9m, e o caminho mais \u00f3bvio raramente \u00e9 o que acabamos por pisar. A s\u00e9rie nem sequer tenta ser sobre um grande tema formatado, mas antes sobre o tatear de uma vida que raramente segue o gui\u00e3o que imagin\u00e1mos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Stuart Bloom tem um belo problema em m\u00e3os no primeiro teaser da nova com\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":316,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314\/revisions\/316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.mixsoul.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}